Terceiro dia
Nada fácil isso aqui...
Dia difícil. Mais difícil ainda escrever. Tenho duvidado da eficácia desse sistema. E de sua necessidade, de sua urgência. Será que é isso mesmo?
Bem, que seja.
O ensaio foi curto, cheguei no horário e não demorei tanto pra começar.
(É estranho isso do tempo em um ensaio sozinho: tudo é muito rápido, você nunca precisa esperar ninguém fazer nada; evidente que tudo parece que demora menos pra acontecer. No fim de uma hora, tenho a impressão de que se passaram quatro. E tem também, acho, uma certa pressa de sair de lá, daquele lugar solitário....)
Voltei a alongar, como no primeiro dia. A mesma sequência, diga-se, com um intuito quase impensado de fixar um aquecimento para meu processo sozinho. As pernas doem um pouco, as costas também. Ainda resquícios de minha recente crise de sinusite, acho, que me deixa o corpo todo zoado.
A música... Acho que ouvi Jonh Coltrane a maior parte do tempo (destaque para sua versão de Every time we say goodbye, que me atravessou durante uma sequência de rolamentos no aquecimento).
Alonguei e comecei a recuperar as meia-voltas do primeiro dia. Recuperá-las e repeti-las, de maneira que fossem, aos poucos, se transformando para aceitar outros espaços, outros pontos de partida. Ainda quero desenhar essas meia-voltas aqui.
Depois voltei-me ao texto, que desta vez eu trouxe, conforme combinado comigo mesmo.
Li e reli diversos contos da parte final do livro. Anotei uma primeira estrutura do livro (sua divisão explícita), esbocei algumas ideias de relações entre os contos que pudessem revelar outras estruturas.
Parei. Me perguntei seriamente se é mesmo sobre este livro (Histórias de Cronópios e de Famas) que quero começar a trabalhar. Tem tantas coisas na obra do Cortázar que me chamam mais atenção agora do que este livro...
Escolhi, em janeiro deste ano, que se algo na obra do Cortázar me fazia pensar em teatro, era esse livro (fora, talvez, Instruções a Jonh alguma coisa, conto de outro livro sobre, justamente, teatro). Agora já não tenho certeza; a ideia da rua me leva a pensar em textos um pouco mais políticos, um tanto mais realistas talvez. A auto estrada do sul, Todos os fogos do fogo, Casa tomada, A saúde dos doentes e outros tantos... Aquele sobre o outro céu e mesmo o das instruções ao Jonh não sei das quantas.
Dúvida complicada pra quem está no terceiro dia de ensaio.
Seguimos.
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