segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Segundo dia

Como não podia deixar de acontecer num blog meu, o segundo post está atrasado...
Normal.
Mas vamos ao que importa. A maior lição, a maior conquista deste segundo encontro comigo mesmo está bem clara: é que eu fui.
Parece uma piada sem graça, mas não é. Ter ido ao Teatro IVO 60 na última sexta-feira às 15h (portanto, 1 hora de atraso comigo mesmo) é uma vitória gigante.
Meu corpo estava doído ainda do treino de parkour da segunda-feira, minha cabeça explodia em dor sintomática de uma crise de sinusite que me ataca desde quarta, o dia estava cansativo, havia muita coisa pra fazer em casa, que acabou de ser pintada e precisa de um bocado de trabalho pra ficar arrumada.
E ainda assim, eu fui ao ensaio.
É quase como parar de fumar: um dia de cada vez e algumas metas a médio prazo pra criar um sentido geral de responsabilidade. 
Cheguei e perdi cerca de meia hora deitado no chão, sentindo as dores no corpo. Os pensamentos (que eu tentava fazer passarem pela cabeça sem parar) ficavam me puxando pra estupidez de não ter levado o livro do Cortázar que é a base pra esse trabalho.
Começou aí, acho uma tentativa de organizar e planejar, ainda que minimamente, um ensaio criativo. Voltei-me para minha mochila e busquei o projeto que o IVO 60 recentemente enviou ao Programa Municipal de Fomento ao Teatro. Lá consta, como citação, um conto do livro em questão: O Canto dos Cronópios.
Fiquei quase emocionado quando achei o conto. Bem, ainda não era exatamente um planejamento de ensaio, mas era um começo.
Li o texto, primeiro em silêncio. Li de novo, Li outra vez. Comecei a ler baixinho, mas a voz falhava um pouco. Li mais alto.
Esqueci de mencionar: enquanto eu lia as caixas acústicas mandavam uma sonzeira da Orquestra Típica Fernandez Fierro, ou seja, uns tangos de rasgar. Achei estranho no começo, mas com o tempo o som vindo do bajo fondo se embrenhou nas minhas palavras (ou talvez elas, as palavras, é que tenho adentrado o labirinto do som).
Segui lendo. Repetidas vezes li o pequeno conto em voz alta. Enquanto lia, caminhava pelo espaço, quase sempre em círculos, mas me forçando a variar, pelo menos, o sentido. No começo impostando um pouco a voz, fantasiando uma plateia; depois, mais calmo, acredito que dando mais espaço para o texto, para as palavras, que pra mim mesmo.
Em determinado momento, larguei o papel, texto decorado, no coração.
Parei de falar o texto e continuei me movimentando. Estanquei no meio da sala e pensei que havia acabado por hoje, mas antes de ir tentei recuperar os movimentos de meia-volta e percursos da semana anterior, que eu sei que ainda vou usar isso pra alguma coisa.


Vitória: dois dias.

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